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Brasil

Delegada de Belém (PA) relembra duplo homicídio de filhos e alerta sobre violência vicária

Delegada Relata o Impacto da Violência Vicária e os Efeitos da Violência de Gênero

Segundo informações publicadas pela BBC, Amanda Souza, delegada da Polícia Civil de Belém, PA, compartilhou sua dolorosa experiência após a perda de seus dois filhos em um crime brutal, com o intuito de conscientizar sobre a violência vicária. Em 10 de julho de 2023, seu ex-marido cometeu um duplo homicídio ao tirar a vida de seus filhos, Marcelo, de 12 anos, e Letícia, de 9 anos, e logo após se suicidou.

Um Dia Marcado pelo Horror

Amanda relembra o dia fatídico com detalhes angustiosos. Em mensagem enviada antes do crime, seu ex-marido disse que seu futuro seria "triste e solitário". Após um dia comum de trabalho, ele fez uma ligação aterrorizante: "Parabéns, você conseguiu o que queria: eu matei os seus dois filhos". Essas palavras ecoam em sua memória, marcando uma reviravolta trágica em sua vida.

Ela foi uma vítima da violência vicária, um tipo de agressão emocional em que o agressor atinge filhos ou pessoas próximas para causar sofrimento à mulher. Nota-se que a violência contra as mulheres também se manifestou em um caso semelhante, ocorrido recentemente em Itumbiara (GO), onde o secretário de governo, Thales Machado, matou seus filhos antes de cometer suicídio.

A Falta de Dados e Políticas Ineficazes

Conforme apurado pela BBC, a falta de dados consolidados sobre a violência vicária no Brasil torna a formulação de políticas públicas mais eficazes uma tarefa difícil. A situação é agravada pela ausência de um Mapa Nacional da Violência que aborde de forma específica esse tipo de crime.

O Mapa Nacional da Violência de Gênero, disponível no Senado Federal, começou a reportar sobre violência vicária a partir de sua edição de 2024, registrando 904 casos em 2023.

Reflexões e Reações Sociais

Após ter conhecimento do caso em Itumbiara, Amanda compartilhou a dor de ver comentários culpando as mães pelas tragédias. "Ver essas críticas, especialmente de outras mulheres, é uma prova do machismo que ainda permeia nossa sociedade", afirma. Ela critica a ideia de que uma suposta traição poderia justificar atos de violência extrema.

Além disso, muitos comentários desumanizam as vítimas, atribuindo culpa em vez de reconhecer a violência como fenômeno social e estrutural. Segundo Amanda, a luta contra esses padrões culturais deve ser uma prioridade.

Construindo um Futuro de Conscientização

Amanda, que atualmente atua na Unidade de Recuperação de Dispositivos Móveis, utiliza sua experiência como um meio de ajudar outras mulheres a reconhecerem e saírem de relacionamentos abusivos. Ela destaca a importância do autoconhecimento e da independência financeira como pilares para escapar de relações prejudiciais.

"Precisamos de estratégias financeiras e amor próprio para que possamos nos libertar desses relacionamentos", conclui ela.

A luta contra a violência de gênero não é apenas uma questão de legislação, mas uma transformação social que exige um esforço coletivo para erradicar a misoginia e promover a equidade.

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