
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, provocou um novo confronto com a Polícia Federal (PF) ao criticar a atuação da corporação durante a investigação sobre supostas fraudes envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. As declarações ocorreram na quarta-feira (14), após um desdobramento que intensificou as tensões entre as instituições responsáveis pela apuração do caso.
Toffoli apontou uma “falta de empenho” da PF e mencionou uma possível desobediência a uma decisão sua, onde autorizou a operação na segunda-feira (12) para que os mandados fossem cumpridos em até 24 horas. O ministro se manifestou em relação ao fato de que a operação só foi realizada na manhã de quarta-feira, alegando que eventuais atrasos poderiam prejudicar o andamento da investigação.
Embora a PF justificasse o atraso por razões operacionais, Toffoli expressou preocupação com possíveis consequências negativas para o caso. Adicionalmente, a decisão de manter os bens apreendidos sob a custódia do STF, em vez de permitir a análise imediata pela PF, gerou inquietação entre os investigadores. A movimentação foi vista como um risco de perda de informações relevantes devido à demora na perícia.
Após os questionamentos, Toffoli determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja responsável pela guarda e análise dos itens apreendidos, visando evitar acessos indevidos. Na mesma data, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, realizou uma visita ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, conforme indicativo de suporte à corporação, que também enfrenta escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU) em relação à liquidação extrajudicial do Banco Master.
Ainda não está clara a extensão da inspeção do TCU sobre o BC, especialmente se haverá acesso a documentos sigilosos. Até o momento, o TCU não iniciou ação direta com a Advocacia-Geral da União (AGU) para garantir tal acesso, como pleiteado pelo Ministério Público de Contas. Nos últimos dias, a Câmara dos Deputados manifestou preocupação acerca de uma eventual anulação da liquidação do banco por meio de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI).
Contudo, com os desenvolvimentos recentes entre o TCU e o BC, há uma percepção de que as alegações em favor da CPMI possam se fortalecer. Apesar disso, o receio de que uma CPMI possa impactar diversos grupos políticos fez com que movimentos na direção dessa iniciativa permanecessem estagnados, especialmente entre partidos como o Centrão, que não demonstraram interesse em prosseguir.
Essas disputas institucionais levantam questionamentos entre parlamentares sobre a possibilidade de contestações legais que comprometam a continuidade do processo criminal vinculado ao Banco Master.











