
Operação Lage em Chamas: Combate à Grilagem e Desmatamento na Terra Indígena Igarapé Lage
Introdução ao Cenário de Invasões Criminosas
A Polícia Federal desencadeou nesta quarta-feira, 10, a Operação Lage em Chamas na Terra Indígena Igarapé Lage, em Rondônia. A operação foi motivada por denúncias de um esquema de grilagem de terras públicas, com conexões significativas ao desmatamento em grande escala e a incêndios criminosos na região. A ação resultou na execução de cinco mandados de busca e apreensão emitidos pela Justiça Federal, com o intuito de coibir práticas ilegais que ameaçam os direitos das comunidades indígenas.
Investigação e Ocupação Ilegal
As investigações revelaram a atuação de um grupo criminoso que promoveu a ocupação irregular do território indígena. Este grupo abriu clareiras, dividiu o solo em lotes e comercializou as áreas de forma ilegal. Em um episódio alarmante, ainda em agosto de 2024, houve a queima intencional da casa de uma família indígena, ação que foi vista como uma tentativa de intimidação para forçar os moradores a abandonarem o local.
Histórico da Terra Indígena Igarapé Lage
Demarcada em 1981, a Terra Indígena Igarapé Lage abriga cerca de mil habitantes distribuídos entre mais de seis aldeias. Nos últimos meses, mais de 800 hectares dessa terra foram desmatados, em decorrência das invasões não autorizadas. A situação se torna ainda mais preocupante quando se considera que o grupo em investigação chegou a dividir aproximadamente 70 quilômetros quadrados em 100 lotes, contrariando leis que protegem a área pertencente à União, reservada para uso exclusivo das comunidades indígenas.
Ações da Polícia Federal e Parcerias Estratégicas
Entre 2024 e 2025, a Polícia Federal já conduziu 10 operações na área, contando com o suporte de várias instituições de segurança, agências ambientais e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Estas ações foram decisivas para a remoção de dezenas de invasores, a neutralização de estruturas clandestinas e a apreensão de diversos equipamentos, madeira e veículos utilizados para atividades ilegais. Pontes que serviam para facilitar novas invasões também foram destruídas.
Incidente de Intimidação e Fiscalização no Local
Em um episódio grave, repertido em agosto de 2024, a terra indígena foi invadida por sete pessoas encapuzadas, que dispararam armas de fogo e incendiaram uma residência e uma motocicleta, obrigando uma família indígena — incluindo crianças — a fugir. Este tipo de ato de violência evidencia a necessidade urgente de ações eficazes para garantir a segurança das comunidades indígenas e a proteção de suas terras.
Avanços nas Investigações e Novos Envolvidos
Com base em informações obtidas a partir da análise de materiais apreendidos em operações anteriores, a investigação progrediu na identificação de novos envolvidos. Este desdobramento levou ao cumprimento dos mandados de busca no dia 10, evidenciando o comprometimento da Polícia Federal em esclarecer as responsabilidades sobre os crimes relacionados à ocupação ilegal, desmatamento, associação criminosa e ataques diretos às famílias indígenas.
Conclusão: A Necessidade de Proteção dos Direitos Indígenas
A Operação Lage em Chamas é uma resposta a um problema crônico que atinge não apenas a Terra Indígena Igarapé Lage, mas também outras regiões que enfrentam invasões e desmatamento. As ações estão alinhadas com o objetivo de preservar os direitos das comunidades indígenas, protegendo seus territórios contra práticas que comprometem não apenas a sua segurança, mas também a biodiversidade e a sustentabilidade da região.
Combater a grilagem e o desmatamento exige um esforço conjunto de diversas esferas governamentais e da sociedade civil, com o intuito de garantir que os direitos dos povos indígenas sejam respeitados e que suas terras sejam protegidas de invasões criminosas. A mobilização contínua das autoridades é essencial para assegurar que operações como a Lage em Chamas se tornem cada vez mais eficazes e recorrentes na luta contra esses crimes.
*Com informações do Rondônia Agora.










