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Eleições

Lula reduz diferença em São Paulo e cresce na Grande São Paulo no segundo turno

No segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu para o senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado de São Paulo, mas conseguiu vencer na capital e reverter sua posição na Grande São Paulo. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a vantagem de Flávio no estado diminuiu de 3,4 milhões de votos no primeiro turno para 2 milhões no segundo. Em nível nacional, Lula obteve uma vitória com uma diferença de 4,4 milhões de votos.

No estado, Flávio obteve 53,8% dos votos válidos, enquanto Lula ficou com 46,2%. No primeiro turno, os percentuais eram 51,9% para Flávio e 38,2% para Lula, com os demais candidatos somando quase 10% no primeiro turno. Lula ganhou 2,6 milhões de votos entre os turnos, mais do que o dobro dos 1,2 milhão recebidos por Flávio.

Felipe Alves, sócio da Idealis Comunicação, consultoria de marketing político, atribui o crescimento de Lula a uma rejeição ao sobrenome Bolsonaro. O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio, conquistou 62,65% dos votos válidos no primeiro turno.

Na capital paulista, Lula teve um aumento significativo de 766 mil votos, passando de 46,6% para 55,5% dos votos válidos entre o primeiro e o segundo turno. Flávio, por sua vez, aumentou sua votação de 42,1% para 44,5%.

Na Grande São Paulo, o resultado também se inverteu nas 38 cidades que compõem a região metropolitana, onde Lula passou a liderar com 52,1% dos votos, enquanto Flávio ficou com 47,9%. O número de cidades na região onde Lula venceu subiu de 14 para 21. Em Osasco, Lula virou uma desvantagem de 8,9 mil votos no primeiro turno para uma vitória de 21,1 mil no segundo. Em Guarulhos, Flávio manteve a dianteira, mas a diferença caiu drasticamente de 64,3 mil votos para 16,2 mil. No ABC, Lula viu a vantagem aumentar de 14 mil para 113 mil votos.

A campanha de Flávio utilizou a estrutura das prefeituras da Grande São Paulo. Após o primeiro turno, Flávio almoçou com prefeitos da região, sob a mediação do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), em companhia do governador Tarcísio. Lula, por outro lado, se apoiou em sindicatos e movimentos sociais, participando de eventos significativos, como a “Marcha pela democracia” na Avenida Paulista, e reunindo militantes em São Bernardo do Campo, onde construiu sua base política.

Para Alves, essa mobilização foi crucial, destacando que campanhas que envolvem a participação ativa do eleitor tendem a ser mais eficazes. Ele mencionou, por exemplo, o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, que ganhou tração ao atingir 10 milhões de seguidores nas semanas finais da campanha. O consultor acredita que Flávio poderia ter consolidado sua vantagem optando por mais campanha de rua em vez de focar em articulações políticas imediatas.

No interior de São Paulo, Flávio manteve a liderança, aumentando sua porcentagem de votos válidos de 59,2% para 60,9%. Lula, por sua vez, cresceu de 32,0% para 39,1%, mas Flávio ainda venceu nas maiores cidades, como Campinas e Ribeirão Preto. No entanto, Lula ampliou de 39 para 72 o número de municípios onde venceu, entre os 645 total.

A taxa de abstenção no estado também apresentou uma queda, passando de 22,5% no primeiro turno para 19,8% no segundo, o que, segundo Alves, foi favorável a Lula, uma vez que muitos eleitores que não compareceram no primeiro turno optaram por votar no presidente na segunda disputa.

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