
Investigações revelaram que munições adquiridas pela Polícia Militar de São Paulo na década de 2000 estão ligadas a uma série de crimes violentos, incluindo a morte de um advogado no ano passado. O caso em questão envolve Carlos Alves Vieira, de 48 anos, conhecido como “Ferrugem”, que foi assassinado por policiais da ROTA em novembro de 2025, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.
Cápsulas de munições com os códigos AAE67 e BAY18, que pertencem a lotes comprados pela PM paulista, foram identificadas na arma atribuída a Vieira. Essa pistola Glock calibre 9mm foi disponibilizada à polícia durante a ocorrência. A comprovação da origem das munições foi realizada pelo Instituto Sou da Paz, a partir de informações contidas em um inquérito do Ministério Público Federal.
Em resposta às indagações sobre a utilização dessas munições em incidentes violentos, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo declarou que a Polícia Civil continua investigando a ocorrência de Itaquaquecetuba, incluindo a origem das munições utilizadas.
Histórico de Violência
Os lotes de munições AAE67 e BAY18, adquiridos em 2005 e 2007, respectivamente, são notórios por sua irregularidade, pois violam uma determinação do Exército que estabelece um limite de 10 mil munições por código. Até agora, essas munições foram associadas a diversos eventos violentos, incluindo chacinas em várias cidades brasileiras desde 2012.
Um exemplo marcante ocorreu em outubro de 2015, quando uma onda de chacinas na região metropolitana de São Paulo resultou em mais de 30 assassinatos em apenas 48 horas. Munições dos lotes AAE67 e BAY18 foram detectadas em cenas de crimes, consolidando a ligação entre esses lotes e a criminalidade.
Além disso, munições de tais lotes foram encontradas em incidentes em Londrina (PR), onde um ataque deixou 11 mortos, e também em São Gonçalo (RJ), em um ataque relacionado a disputas entre facções. Historicamente, esses lotes têm fornecido munições para ações violentas, levantando alarmes sobre a segurança pública e a necessidade de maior controle e rastreabilidade.
Desafios na Rastreabilidade
A legislação brasileira exige que as munições fabricadas para as forças de segurança sejam marcadas com códigos alfanuméricos, facilitando o rastreamento. Contudo, as munições adquiridas no mercado civil não precisam seguir essa norma, o que complica os esforços de investigação. O Instituto Sou da Paz critica a falta de uma base de dados unificada, o que impede um controle mais rigoroso sobre o uso e a origem dessas munições.
Recentemente, houve pedidos de acesso à informação sobre a venda de munições para forças de segurança, mas a resposta tem sido lenta, potencializando a impunidade no uso de armamento ilegal.
O Caso Ferrugem
A pistola Glock identificada como pertencente a Carlos Alves Vieira foi apresentada na delegacia pelos policiais, mas as imagens da incidência não mostram essa arma nas câmeras corporais. O advogado foi implicado em atividades criminosas após sua morte, mas a Ouvidoria das Polícias discorda da classificação de Vieira como membro de organizações criminosas. Notavelmente, a sua morte e o subsequente tratamento do caso evidenciam falhas nos protocolos de investigação.
Outros aspectos importantes surgiram na investigação, como a descoberta de munições e drogas no veículo de Vieira, além das irregularidades nas armas apresentadas como apreendidas. A falta de clareza nos procedimentos periciais continua a causar controvérsias sobre a legitimidade das ações policiais no caso.
A complexidade do caso de Carlos Alves Vieira realça a necessidade urgente de revisões nas práticas de investigação e maior transparência sobre as armas e munições utilizadas nas operações policiais. A sociedade demanda respostas claras e um sistema de segurança efetivo que garanta justiça e segurança a todos.











